Coloquei o vinho no copo, devagar, e decidi tirar da memória todas as vezes em que você o fez pra mim. Decidi também não sentir falta do seu calor, principalmente nessas madrugadas frias. As palavras soam trêmulas, e sinto que não sei escrever. Se o faço, é por desespero. Não sei se termino, tenho medo de colocar os pontos finais, mas talvez você fique preso no meio das minhas entrelinhas. Não queria lembrar dos olhos, mas eles escorrem pra dentro de mim e eu não tenho como fugir, mesmo sabendo que fui embora há tempos. Sigo o silêncio, e incomoda, dói, você sabe bem, eu sei. Talvez você pudesse ouvir o pesar no meu peito, louco, rouco. A verdade é que mantenho perto tudo o que você deixou comigo, quase nada. Só o mistério.