As horas vão escapando entre os dedos, os olhos não dão mais conta, o coração não acompanha. Aliás, ele nunca acompanha. Nunca sei se a alma aquieta ou vem barulhenta, como quem quer mostrar a que veio, e se veio. Vem pelo avesso, e eu não me importo se não tenho vontade de colocar no lugar. Eu nunca organizo, me perco, seja entre vãos minúsculos ou vazios eternos. Apesar desse desejo vasto de querer tudo em seu lugar, bem como as blusas que eu queria separar por cor. Mas sabe, todas são pretas. As cores foram ficando desbotadas, e talvez nunca voltem a ser coloridas.