Procurei algum motivo, mínimo que fosse para permanecer. Procurei então, algum que justificasse minha partida, mesmo breve, mesmo de leve. Nada me prende, nada me faz ir. Decidi pensar que não são as pessoas quem fogem, eu fujo delas, me senti satisfeita, mas ainda há o mesmo vazio. Aquele velho amigo. Vem me visitar periodicamente, apenas por vir, me fazer sentir e lembrar o que eu já havia esquecido. Vem, aproveita do meu silêncio e vai, sem sequer se despedir, talvez saiba que sua presença já foi o suficiente. Procurei uma desculpa para não me render, disse que não tinha tempo, e ele mesmo assim, continua sem cessar. Não diz nada, nunca disse; apenas olha pro meu rosto cansado e sorri. Tento não me importar, mas eu sempre me importo, faz parte de mim. Penso que seja a parte dolorida, que mesmo sangrando, quer ver mais sangue, sempre. Procurei qualquer indício de proteção, qualquer olhar sincero, qualquer abraço, qualquer sorriso iluminado. Procurei meus pedaços pedidos, meus motivos esclarecidos, a garota que ainda vaga aqui dentro, sem saber pra onde ir.