Eu vivo morrendo por acidente. Hora desisto, abandono meu corpo desbotado em qualquer esquina, e vou ver além do outro lado do muro. Hora insisto em levantar, a as vezes em que consigo, não restavam sentimentos exatos. Desprezo ajuda, meu orgulho me faz pior. Me sinto segura, mas sei que estou perdida, não dou atenção a ninguém, e sinto saudades de poucos. Decido saltar, e a ausência da rede de proteção me encomoda. A vontade deixa de ser vontade, assim, lentamente, sem motivo, e eu fico sozinha mais uma vez. Na frente do espelho, acompanho minhas olheiras, dessas noites maldormidas, olhos desencantados, que aos poucos, perdem o brilho. Enquanto isso, o tempo lá fora devora, devora.