Aceito o beijo no ombro porque já não aguento mais carregar um rio de solidão nos olhos. Não há considerações, nem afetos, nem qualquer sentimento cortante além da minha sensação de estar sozinha. Sim, sozinha. Fui perdendo a sensibilidade no caminho e agora já não sinto as pontas dos meus dedos. Eu gostava de acariciar meus amores inexistentes com os dedos, só pra ver seus olhares ternos. Só por um segundo, eu sei. Saio quieta, lamentando a minha maneira de fugir depois de roubar algum coração. Era o errado, eu disse. Mesmo querendo ficar. Era o tempo errado, nós pensamos. Demonstrei com aflição minha atenção, tive medo da frieza das minhas distrações. Eu quero colo. É tarde.