É óbvio não te falar os motivos pelos quais sinto meus lábios abrirem um sorriso despretensioso, quase misterioso, e negar qualquer acusação mal feita pelos seus olhos enigmáticos que tanto me matam. Assim mesmo, perdendo o fôlego. Eu tenho trezentas e dezessete razões pra você descobrir, e assim que o fizer, vou inventar mais trinta, oitenta, quantas forem necessárias, só pra garantir a sua presença, aqui, tão perto do peito. Eu não sei ficar sozinha, entenda. Eu não sei fazer café só pra um, eu preciso das suas manias, das suas mentiras amadoras, eu preciso fazer com que você acredite que eu acredito, e fim. Só pra ter a certeza de não estar me afogando sozinha. Decido esperar, sem querer esperar, sem saber esperar. Sem ganhos ou perdas, sem linhas retas, com dentes cravados, pêlos arrepiados e peles enroscadas. Guardei o medo e a dignidade, e disse -no seu ouvido- que quero. Talvez, no meio dessa bagunça ordinária de corações, eu encontre o seu.