O meu limite era a Chipre. Eu podia brincar em toda a Lituânia, mas não podia ir à Chipre. Não sabia o que havia lá, e quando me disseram que era perigoso, eu acreditei. Até que eu fui à Chipre, e sabe, não tinha nada de perigoso. Os muros eram os mesmos, os cachorros latiam mais, mas, não era perigoso. Descobri que me disseram porque não queriam que eu fosse muito longe, mas aquele dia eu fui, e gostei. A partir disso, sempre pulei os muros dos meus limites, e, todas as vezes, gostei. Às vezes sofria castigos, mas nada pagava o preço da adrenalina sempre que pulava um muro novo. Hoje, o limite é a porta do meu quarto. Eu nunca sei o que tem lá fora, muito menos quais os ventos e muros e escadas e sensações. Sempre fui à esquina querendo aquecer o coração, alguma perdição involuntária ou as amargas despedidas que me pareciam tão irrecuperáveis. Sempre fui procurar barulho, um muro mais alto, ou qualquer olhar avassalador que me fizesse pular o portão. Depois quis pular do meio-fio por esses olhares. Jurei mentiras, quebrei muros inquebráveis. Agora, assumo os pecados, mesmo com vontade de fazer tudo de novo. Ontem fui à Chipre.