Se acaba, não é mais. Se muda, não é mais. Aos poucos vamos esquecendo os mínimos que nos fizeram máximos. Não porque queremos, necessitamos. Nossos olhos de ressaca não olham na mesma direção, tampouco se cruzam. Fomos acumulando memórias, afetos e razões, e talvez tudo isso fosse o nada que sempre compartilhamos. Vamos chorar por tudo aquilo que queríamos ser e ter, e não fomos, e não teremos, e rir dessa magia que fazia com que a vida se tornasse tão mais simples e viva. E então, distraídos, aceitamos o que foi dito. E feito. E escolhido. A ausência. Guardamos em algum livro fotografias amareladas, lembranças desbotadas de sorrisos e olhares cúmplices, distantes e enigmáticos. Calados, com preguiça de gritar o que acontece e o que aborrece. Talvez precisássemos de algo pra acreditar, fazer continuar, e nos encontramos exatamente nesse trevo de vontade e necessidade. Mas a partir do momento que outros trevos são revelados, os velhos ficam pra trás na estrada. Investigamos nossas verdades e elas queimam.