E então eu parei de me perguntar se o que eu via era o que eu queria ver, e não o que realmente era. Parei de resgatar todas as letras tortas que eu escrevi. Vai ver era a solidão. A solidão que se escolhe ficar. Seguindo a seta que eu mesma criei pra apontar o meu destino, sem nem saber se aquele era o melhor a seguir. A certeza veio. Percebi minha razão muito maior do que qualquer coisa, mesmo sabendo que em certos momentos ela me foge. Mesmo temendo o que posso querer sem nem saber. Na verdade eu não preciso fazer nada, só preciso saber que posso fazer. E às vezes me dói admitir que não consigo seguir uma linha reta, um único caminho. Depois de tantas paredes e acidentes e vagões e poços e recaídas e dores, ainda dói. Coisas que perdi junto com as mágoas que eu tanto guardo, vejo a insistência em um fogo morto. Não queima mais, talvez nunca tenha queimado de verdade. Gosto de quando o vento bate e me lembra, tão distraído, os caminhos que tomei. O fato de não sermos mais os mesmos. O vento leva a saudade e eu prefiro ficar com a liberdade. Leva minha calma, e eu paro de andar na contramão. Vulnerável, doída e desapegada.


Rasgue as minhas cartas,
E não me procure mais.
Assim vai ser melhor.