Patética essa mania de querer ver o há por trás de cada sorriso ou palavra, mínima que seja, dissecando qualquer detalhe, tentando transformá-lo em algo grandioso e essencial. Patética a mania de pensar em como seria, em como a noite terminaria, desejando ouvir uma simples frase, qualquer uma que faça valer a pena cada minuto fora de casa, na chuva, sem casaco, tentando se aquecer com algum olhar misterioso, que faça com que a vontade de desvendar o mistério seja maior que o frio. Esquecendo que a conta de telefone já chegou e que o último dia para pagar era hoje, mas que agora já não faz sentido, porque talvez a noite valha tanto quanto todas as contas de um ano inteiro, ou mais. Vendo sinais que não existem, mãos que não tocam, mas que deveriam tocar, e que maravilhoso se tocassem, mas enfim, não tocam e talvez nunca toquem. Imaginando que o pouco é muito, mesmo sabendo que no fundo, bem no fundo, você sabe que é só o seu desejo gritando alto, dizendo que sim, é muito. Olhando as cores refletidas na calçada, querendo ir pra cama acompanhada, só esta noite. Fazendo gestos de discórdia, pedindo misericórdia às borboletas do seu estômago. Lembrando de palavras nunca ditas, expressões nunca feitas, e pendurar todas no calendário do mês, só pra não deixar de esquecer. E continuar sendo patética, esperando um ‘você é a MINHA exceção’.