Eu quis não sentir nada, e realmente não sinto. Nem as dúvidas que antes faziam parte da minha carne, muito menos o medo que dormia ao meu lado na cama. Minhas mãos já não trazem nada, meus lábios não compartilham mais nenhum outro gosto, e meus erros já não têm dono. As palavras que ouso proferir ficam soltas, sem precisar se agarrar a nenhuma borda, e eu as deixo como estão, sem pestanejar. Os olhos não dizem nada, nenhuma dor, nenhuma alegria, nenhuma emoção. Talvez alguém veja o resquício de algo que passou por aqui, mas não deixou marcas. E tudo o que já não há aqui, faz vir o vazio. Faz vir o silêncio. E não dói. Não há nada que provoque dor agora.