Talvez eu tenha que mergulhar no meu silêncio, me ouvir. Me calar, deixar vir o turbilhão de pensamentos mais uma vez, me achar. De tanto dizer que nunca sou nada, talvez seja. E se for, não faz diferença. De tanto acreditar que não sou inteira, carrego esse peso por todos os lugares, por todas as frases, todos os olhares. Me escondo atrás de medos, receios. Faço deles meu maior motivo, sem saber que não basta, nunca bastou. Finjo que não vi, que não senti, finjo que sei, mudei. Talvez eu tenha medo de depender, de ser, de viver. Talvez eu tenha receio de seguir em frente, sem saber o que vem lá. Minha insegurança me domina, e eu a deixo dominar. Talvez tenha apenas que acordar. São coisas tão banais, e ao mesmo tempo, essenciais. Fujo, permaneço, e ninguém vê.